Mariana ximenes busca humor em femme fatale: ‘adoraria ser a tatá werneck’

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SE EU FECHAR OS OLHOS AGORA

Mariana Ximenes na pele da sedutora Adalgisa de Se Eu Fechar os Olhos Agora: riso e tragédia

No ar em Se Eu Fechar os Olhos Agora como a sedutora e misteriosa Adalgisa, Mariana Ximenes buscou um pouco do sarcasmo e das piadas da personagem para a própria vida. “Ela tem muito humor, e eu adoraria ser a Tatá Werneck (risos)”, brinca a atriz, que contracenou com a comediante em Haja Coração (2016), última novela que fez na Globo.

“Mas, como eu não sou a Tatá, trouxe muito da minha convivência com ela [para a personagem da minissérie] e, depois que fiz a Adalgisa, eu comecei a tentar colocar um pouco mais de humor na minha vida”, explica Mariana.

A atriz, que completou duas décadas na televisão, teve poucas oportunidades de fazer comédia na carreira. Flertou com o humor na pele da Bionda de Uga Uga (2000) e se jogou de cabeça para fazer a Tancinha de Haja Coração, uma reedição da personagem de Sassaricando (1987) que transformou Claudia Raia em estrela.

Na maioria das vezes, porém, Mariana teve papéis dramáticos. Caso da Rosário de A Casa das Sete Mulheres (2003) e da vilã Clara de Passione (2010). Na minissérie de Ricardo Linhares que a Globo exibe atualmente, ela junta o melhor dos dois mundos.

“A Adalgisa é uma mulher danada. Ela é provocadora, provocativa, ex-miss, vaidosa, irreverente, tem muito humor, é uma delícia. Solta umas frases que eu adoro, do tipo ‘Queria ter o fígado no lugar do coração, porque assim eu podia beber mais e sentir menos’. Mas, ao mesmo tempo, ela tem uma profundidade, muitos mistérios e uma tristeza absurda. Chora, sente saudade e ninguém sabe muito bem do quê”, valoriza.

Mulher de época, mas atual
Apesar de a minissérie se passar nos anos 1960, Mariana defende que a história é extremamente atual –algo similar ao que a série Coisa Mais Linda, da Netflix, fez com uma trama situada em 1959. “Ela fala de temas que duram até hoje, infelizmente, como feminicídio, racismo, a subserviência da mulher… São assuntos que estão ali na época, mas que ainda rendem muita discussão”, filosofa.

“A própria Adalgisa é uma mulher muito à frente do seu tempo, aparece vestisse calça em um evento quando a convenção social exigia que ela um vestido, uma saia. Ela ousa, faz o que quer da vida dela. E acaba sendo morta. É muito atual.”

Mas, ao mesmo tempo em que puxou um pouco do humor da personagem para sua vida, Mariana também levou um pouco da própria vivência para Adalgisa. É que ela também precisou desafiar algumas convenções sociais para virar atriz.

“Eu comecei a trabalhar com 14, 15 anos, à revelia da minha mãe, que queria que eu só estudasse. Mudei pro Rio de Janeiro com 17 anos e não parei mais, nem quero parar. Acho que nós, mulheres, estamos trabalhando, lutando pelos nossos direitos. Fui na passeata de 8 de março e vi uma mulherada forte, vibrante, com um grito potente. E espero que ele transborde para todas que ainda não deram o seu grito.”