Lúcifer: por que um cristão não deve ter medo da série da netflix?

Compartilhe no WhatsApp

Lúcifer: Por que um cristão não deve ter medo da série da Netflix?
Tom Ellis na quarta temporada de Lucifer; o personagem da série da Netflix é inofensivo e gente boa
QUARTA TEMPORADA

Para um cristão, a mensagem é clara: Lúcifer tem de ser amarrado e repreendido (em nome de Jesus!). Mas o Príncipe das Trevas da Netflix não merece ser expulso em uma sessão de descarrego. O personagem, apesar de ser uma versão humana do diabo, é inofensivo e tem traços de personalidade que faltam em muitos religiosos, como bom humor e, por incrível que pareça, compaixão.

Uma das séries mais populares no Brasil, Lucifer estreia a quarta temporada na Netflix nesta quarta (8). A série, que tinha sido cancelada pela Fox no ano passado, foi ressuscitada pela gigante do streaming. Inspirado em um personagem de história em quadrinhos, o drama vem com uma temporada mais curta do que as anteriores, composta de apenas dez episódios, seguindo o padrão da Netflix.

Desde a estreia de Lucifer na TV, há três anos, cristãos do mundo inteiro promovem boicotes à série. A campanha contrária à trama bate na tecla de que é feita uma glamorização do diabo. Argumentam que é transmitida uma mensagem de que ele, no fim das contas, é bom. Porém, a série não é tão rasa dessa maneira. Ela tem camadas de discussão que vão além da polarização entre bem e mal.

A premissa da atração já é engraçada por si só, uma entre outras tantas metáforas da série. Lúcifer está cansado da vida infernal que vive, abandona as trevas para andar entre os humanos e abre uma casa noturna.

Seu cotidiano passa a ficar agitado quando no seu caminho aparece a detetive Chloe Decker (Lauren German). Daí, ele ajuda a polícia na solução de vários crimes, usando seu poder de convencimento com a ardilosa sentença: “Diga-me o que você mais deseja” –e a pessoa de repente verbaliza o que realmente está pensando.

Lucifer e a Bíblia

Os episódios de Lucifer seguem essa dinâmica, recheados de menções à Bíblia. Mas sem qualquer ato de sacrilégio digno de eterna perdição. A série não perde a piada e não menospreza a própria entidade Lúcifer.

Isso é observado em uma relação chave do drama, entre o personagem e sua terapeuta, Linda Martin (Rachael Harris), que abraça a ideia de que aquela pessoa que aparece em seu consultório é realmente o Satanás em pessoa apenas para dar prosseguimento ao atendimento.

A série Lucifer se sustenta em conceitos que muitos cristãos acreditam ser verdade. De que há um Céu e um Inferno, lugares reais para onde vão os bons (Céu) e os maus (Inferno). O perdão de Deus também é presente na trama, assim como valores que vão de benevolência a recompensa por fazer o bem.

Lúcifer: Por que um cristão não deve ter medo da série da Netflix?
Tom Ellis com Inbar Levi em cena da quarta temporada de Lucifer: romance entre diabo e Eva

Personagens famosos da Bíblia dão as caras na série. Como Caim, aquele que segundo a Bíblia cometeu o primeiro homicídio da humanidade. Agora na quarta temporada, é a vez de Eva (Inbar Levi), mãe de Caim e Abel, entrar em cena, logo como a namorada do tinhoso.

Lúcifer tem um senso de justiça tão grande a favor de inocentes que tomou uma atitude contra algo para o qual muitos cristãos fazem vistas grossas. O diabo botou para correr um pastor pentecostal caricato que estava enganando pessoas (ele pregava na frente de uma Igreja Universal). Lúcifer soltou uma frase lacradora contra o pilantra: “O que odeio mais que tudo é um mentiroso. Um charlatão.”

A série é completamente inofensiva para aqueles que fazem sinal da cruz ao se depararem contra qualquer adversidade e que culpam o diabo por tudo. “Não me deem crédito por tudo. Vocês humanos se saem muito bem sozinhos”, ironizou certa vez o personagem, esquivando-se de ser a fonte de todo o mal.