Perdidos no espaço: criadores se inspiram em star wars e provocam elenco

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Molly Parker (Maureen), Maxwell Jenkins (Will) e Ignacio Serricchio (Don) em cena de Perdidos no Espaço

Molly Parker (Maureen), Maxwell Jenkins (Will) e Ignacio Serricchio (Don) em cena de Perdidos no Espaço

Adaptar uma série que fez sucesso na década de 1960 para os dias de hoje já parece um desafio assustador, mas Matt Sazama e Burk Sharpless quiseram piorar sua situação. Ao adaptarem Perdidos no Espaço para a Netflix, eles decidiram se inspirar em outra franquia espacial, Star Wars. E ainda provocaram seus atores com uma situação desconfortável.

“Nós temos um plano de três temporadas para a série. Então a primeira foi como uma espécie de Uma Nova Esperança [1977]. A segunda agora é o Império Contra-Ataca [1980], um pouco mais sombria e complicada. E, se tivermos a sorte de fazer uma terceira, vai ser O Retorno de Jedi [1983], uma conclusão para a história que começamos logo no primeiro episódio”, adianta Sazama ao Notícias da TV.

O segundo ano da série chega à plataforma de streaming nesta terça (24), mas os fãs não precisam temer: a história da família Robinson, que parte para o espaço em uma missão colonizadora e acaba se perdendo pelo caminho, não precisa chegar ao fim na próxima leva de episódios. “É algo que podemos continuar para sempre. Mesmo que eles sejam encontrados, podem se perder novamente”, brinca Sazama.

Eles confidenciam, no entanto, que o suposto terceiro ano vai ser bem conclusivo para a história. “Nós temos um plano. Somos roteiristas de cinema, gostamos de finais. Acho que Vingadores: Ultimato [2019] foi o melhor filme da Marvel porque tinha um encerramento, não deixava algo aberto para o próximo capítulo. Então sentimos que ter um ponto final é necessário”, justifica Sharpless.

Estreantes na televisão depois de roteirizarem longas como Drácula: A História Nunca Contada (2014) e Power Rangers (2017), os dois produtores confessam que ainda se surpreendem com a liberdade que receberam da Netflix para contarem a história que tinham imaginado para Perdidos no Espaço.

“Nós já escrevemos filmes que não ficaram exatamente como queríamos. Essa série é a primeira coisa que fazemos em que temos o controle para fazer da maneira que tínhamos imaginado. Se vai funcionar ou não, pelo menos é a nossa visão, é o que pretendíamos. Se as pessoas gostaram da primeira temporada, ótimo, a segunda vai ser ainda maior, colocamos tudo o que tínhamos nela”, promete Sazama.

É claro que trabalhar na gigante do streaming também tem um revés. A empresa é notória por não divulgar dados de audiência para o público. E a dupla de criadores revela que nem eles conseguem saber quantas pessoas viram seu projeto. “A Netflix não deu nenhum retorno, nem nós temos acesso à audiência”, diz Sharpless. “Os filhos dos meus amigos chegam para mim e dizem que gostaram, mas não sei… Eu fico meio: ‘Foi seu pai que mandou você dizer isso?'”, completa Matt.

Taylor Russell (Judy), Toby Stephens (John) e Maxwell Jenkins (Will) com os trajes espaciais

Taylor Russell (Judy), Toby Stephens (John) e Maxwell Jenkins (Will) com os trajes espaciais

Trajes de tortura

Como nem tudo é só alegria, os produtores admitem que os atores têm uma reclamação bem específica e que fazem com frequência: o desconforto dos trajes espaciais que seus personagens precisam usar quando saem em alguma missão.

“Nós só temos coisas boas para falar do nosso elenco, porque os atores topam tudo que inventamos para eles fazerem. A coitada da Molly [Parker, intérprete de Maureen Robinson] precisa declamar todo aquele linguajar científico horroroso, e faz isso tão bem… Mas eles odeiam as roupas espaciais!”, ressalta Matt Sazama.

“O problema é que eles ficam tão descolados usando aquilo, são como super-heróis do espaço. Então queremos fazê-los usar os trajes o tempo todo, e eles nunca querem vestir nada. Precisamos nos comprometer e ficar no meio do caminho”, complementa Burk Sharpless.

Para entender um pouco o lado dos atores, Sazama decidiu experimentar o traje durante as gravações do segundo ano. “É que eles reclamavam tanto, e eu não achava que poderia ser tão ruim. Bem, eu estava enganado (risos). Usei aquilo durante uns 45 minutos e minha coluna me matou. É um pesadelo!”, reconhece.

A segunda temporada de Perdidos no Espaço conta com dez episódios e foi disponibilizada na Netflix nesta terça-feira (24).

Confira o trailer: