Globoplay e desfalque da disney freiam crescimento da netflix no brasil

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Darth Vader em cena clássica de O Império Contra-Ataca: Disney tomou a saga Star Wars da Netflix

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A Netflix pode ter interrompido seu crescimento no Brasil pela primeira vez. Dados da empresa de monitoramento de internet SimilarWeb indicam que a maior plataforma de streaming do mundo perdeu 10% de seus usuários ativos no país no quarto trimestre de 2019. O tropeço, se confirmado, terá sido causado principalmente pelo avanço do Globoplay e pela perda do acervo da Disney, que lançou seu próprio serviço de vídeo.

A Netflix tinha 158 milhões de assinantes no mundo todo em setembro (o balanço do ano deve sair nesta semana). A empresa não divulga dados do Brasil, mas estima-se que sejam entre 8 milhões e 10 milhões. O país é um de seus principais mercados depois dos Estados Unidos. Em 2017, a plataforma chegou a comparar o crescimento no Brasil como um “foguete”, mas perdeu propulsão desde então.

Segundo maior serviço de streaming do país, o Globoplay vem recebendo um investimento pesado da Globo nos últimos dois anos. Em 2020, consumirá R$ 1 bilhão entre tecnologia e conteúdo. Mas, apesar de ter cerca de 20 milhões de usuários eventuais, está bem distante da Neflix em receita. Fala-se que o serviço tem entre 1 milhão e 3 milhões de usuários pagantes –a Globo também não divulga seus números de assinantes.

É fato, contudo, que o Globoplay teve um crescimento vigoroso em 2019. O Notícias da TV apurou que o total de horas consumidas aumentou 69% em relação a 2018, de 234 milhões de horas para 396 milhões.

O total de horas de consumo do conteúdo fechado cresceu 225%. Das 396 milhões de horas de séries, filmes e novelas, 236 milhões foram usufruídas por assinantes. Ou seja: 60% do que foi consumido no Globoplay em 2019 foi por assinantes. A Dona do Pedaço, The Good Doctor e Manifest lideraram o consumo.

Debandada de arrasa-quarteirão
Nos Estados Unidos, a Netflix ganhou em novembro dois concorrentes de peso, o Disney+ e a Apple TV+. No Brasil, a plataforma da Disney só chega em novembro, mas já causa estragos no catálogo da Netflix. Desde meados do ano passado, a Disney tem interrompido a exibição na concorrente de conteúdos arrasa-quarteirão, como os filmes da saga Star Wars, as séries Hannah Montanna, Lost, Revenge e The OC, desenhos do Mickey e animações do calibre de Frozen e Meu Malvado Favorito.

O cenário tende a piorar para a Netflix com a estratégia dos grandes estúdios de lançarem seus próprios streamings. Os efeitos da retirada do conteúdo de Disney e Warner devem começar a aparecer nos próximos balanços.

Nos últimos anos, a Netflix vem financiando a produção de conteúdo (foram US$ 15 bilhões só em 2019) com emissão de dívida. Até aqui, os investidores bancaram a conta porque a plataforma manteve trajetória de crescimento. Se essa trajetória for interrompida, a empresa estará diante do dilema de manter preço (não poderá aumentar por causa da concorrência mundial com Disney, Amazon e HBO Max) e continuar produzindo conteúdo original premium.

Queda de 10%

Segundo texto do site Business Insider, a SimilarWeb capturou a queda de 10% nos usuários ativos da Netflix em um painel de centenas de milhões de telefones e tablets Android em 30 territórios, entre eles Brasil, Índia, Reino Unido e Malásia. Embora não sejam um retrato fiel, os dados mostram tendências internacionais de assinantes da Netflix.

O celular é muito relevante para o streaming. A maior parte do consumo de vídeo em dispositivos móveis se dá em redes Wi-Fi. É o caso dos usuários que levam celular ou tablet para a cama, conectados na rede doméstica. Ou dos que consomem no trabalho ou em lugares públicos como shoppings.

A esse consumo se soma ainda, mais recentemente, o recurso do download, em que a pessoa baixa o conteúdo numa rede Wi-fi e depois assiste no metrô ou ônibus, sem gastar plano de dados de operadora de celular.